Sempre me comovem declarações de um
amor que já se apagou.
Declarar um amor que não mais existe é deixar aparecer no fino tecido
do que há um fio com a textura do que não há e as cores do mais belo entre os
paraísos perdidos.
É a concreta existência da ausência, ainda (e porque) ausente qualquer
existência.
É trançar os fios do manto da realidade com o pós-ser e com o pré-não-ser,
sendo e não sendo, assim, ao mesmo tempo. E também antes. E também depois.
É a existência e o tempo em quartos diversos e separados, ainda que, em
algum ponto, venham a se tocar, abraçar, beijar, amar – querendo-se de mãos
dadas pelas ruas, sem se importar com os outros, enquanto influenciam, porém,
todas as ações ao seu redor.
Quanto tempo dura essa existência? E onde é que existe esse tempo?
E o instante, quando é?
E onde? E como?
Quando que eu aperto o disparador para que exista aquela fotografia polaroide
inesquecível?
As polaroides se apagam, enfim, no fim.
Mas não deixam de existir.
Como o amor.
É, a ideia é essa, pegar a polaroide apagada, lembrar e ter certeza que tocamos pra frente. :)
ResponderExcluirEu li aqui a coluna e acho que tem algumas coisas ali bem verdadeiras. Mas aqui eu não estava falando de um amor mal resolvido daquele jeito.
Aqui é mais quando a gente termina, continua gostando e segue. Sem flashback. E o amor desbota com o tempo. Continua lá, mas as cores agora são outras. É um amor diferente, um querer bem que quer um abraço, não mãos dadas. Desses amores, desses sim, tenho uma pequena coleção particular. Não os tenho como mal resolvidos: resolvemos por manter amizade, não pelo distanciamento (que costuma ser comum). Hoje, mesmo nos momentos de carência, como ele fala no texto, eu busco sim os braços dessas pessoas, mas não para nada mais que um abraço. Um abraço e um sorriso já me trazem de volta as cores.
E então eu declaro um amor que já se apagou(eu amei) e um que ainda está sendo escrito (estou amando).